Cie Anania / Taoufiq Izeddiou (Marrocos)
- DURAÇÃO 40'
- INDICAÇÃO ETÁRIA Livre
- LOCAL Espaço Cultural Ambiente
- DATA E HORA
- 27 de Out às 20h e 28 de Out às 21h
Hoje quebrei meus dentes enquanto tentava morder as barras da janela. Cuidadosamente mantive o gosto do ferro na pele da minha língua.
Dois pais, um me deu seus olhos, o outro, seu olhar. Talvez seja o contrário. Quem sabe!
Você estava dormindo?
Se eu partir, eu morro. Se eu ficar, eu morro também.
Manter o vazio em tensão. Você acabou de tossir em mim.
Tenho um sentimento que corre pelas minhas veias e me convida a dançar, dançar, dançar.
Tenho uma raiva ensandecida. Minha energia é insana, sábia, lenta, contida, cansada, exaurida, controlada…
Tenho ouvido tanto essa pergunta – “Quem sou eu” – que eu não quero mais explicá-la. Não papai, não mamãe.
Papai, mamãe, não façam bebês! Minha única família sou eu?
Qual é a sua dança? Qual é a minha dança?
Sou marroquino? Sou africano? Sou mediterrâneo? Sou árabe? Sou um cidadão do mundo? Eu e o outro?
A liberdade do Afeganistão é diferente de remover a burca. Obama presidente é diferente do fim do racismo.
Vamos, todos juntos, demarcar o solo e respirar como cachorros.
Aaleef
« Aaleef » em árabe significa eu estou girando e ao mesmo tempo evoca aleph, a primeira letra do alfabeto.
Taoufiq Izeddiou marca assim o momento de iniciação e de incerteza com o qual toda busca nova por si mesmo e pela escrita de sua própria história, se associam. “Estou com raiva. Minha energia é alucinada, esperta, lenta, controlada, cansada, exausta, comedida… Sou um marroquino? Um africano? Da região mediterrânea? Um árabe? Ou um cidadão do mundo?” “Uma ferida aberta” é como Toufiq descreve a questão de sua própria identidade. E, esboça um solo que também reflete a luta ligada a uma vida na dança contemporânea no Marrocos. Opta por uma forma de arte que em sua busca inerente por um “outro” corpo nos confronta com a nossa própria identidade pessoal e nacional, com a história oficial e com a história familiar, em algum lugar entre tradição e modernidade.
Juntamente com o músico tradicional gnawa, Maâlem Adil Amimi e Guy Raynaud, designer de som, uma jornada atmosfericamente densa se desenvolve através da memória na tentativa de se poder dizer “EU” (do francês, Je) novamente.
Texto produzido pelo Scène Nationale de Annecy (França).



